CASO UNAY CAMBUMA: Tribunal Afasta Acusação de Ofensas ao PR e Ordena Processo Contra Agentes Envolvidos em Agressões



 CASO UNAY CAMBUMA: Tribunal Afasta Acusação de Ofensas ao PR e Ordena Processo Contra Agentes Envolvidos em Agressões

Maputo — Após quatro dias de audiências intensas, terminou na sexta-feira, 14 de novembro, a fase de debates e conclusões da audiência preliminar envolvendo os jovens Wilson Matias Pita e António Muthemba, conhecidos no mediático Caso “Unay Cambuma”.

Os dois enfrentavam cinco acusações iniciais:

  1. Instigação Pública (Art. 345 do Código Penal),
  2. Incitamento à Desobediência Colectiva (Art. 396, nº2, al. a),
  3. Ofensas à Honra do Presidente da República e outras entidades (Art. 237, nº1),
  4. Atentado contra a Liberdade de certas entidades (Art. 395),
  5. Associação Criminosa (Art. 348).

Ministério Público recua em duas acusações

Durante as conclusões, o Ministério Público pronunciou-se apenas sobre três das cinco acusações, deixando de fora os crimes de:

  • Ofensas à Honra do PR e outras entidades,
  • Associação Criminosa.

Para que os arguidos aguardassem o processo em liberdade, foi proposta uma caução de 200.000 meticais para Wilson e 100.000 meticais para António.

Tribunal exclui crime de ofensas ao PR

Na leitura do despacho realizada na segunda-feira, 17 de novembro, o Tribunal concluiu que os arguidos deverão responder apenas por quatro crimes, excluindo o de Ofensas à Honra do PR e outras entidades.

A juíza manteve igualmente as cauções sugeridas pelo Ministério Público.

Juíza ordena abertura de processo contra agentes por agressões

Um ponto marcante da audiência foi a determinação da magistrada para que fossem extraídas cópias das declarações de Wilson e dos relatórios médicos, que confirmam agressões físicas sofridas pelo arguido. Essas cópias servirão para a abertura de um processo criminal contra todos os agentes envolvidos nas alegadas agressões.

Audiências decorreram sem relatórios médicos completos

Apesar de o Tribunal ter solicitado exames médicos específicos para esclarecer a origem das dores físicas apresentadas por Wilson desde o dia em que foi apresentado à imprensa, as audiências decorreram sem a receção desses relatórios, o que levantou preocupação dos advogados.

Equipa de defesa

  • Carlos Xerinda – Advogado
  • Sandra Clifton – Advogada
  • Teófilo Matsule – Advogado
  • Ferosa Chaúque – Advogada e Presidente da CDHOAM

A defesa integra o coletivo Advogados pela Legalidade, Justiça e Direitos Humanos (OAM-CDH).


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